O Cartório Moreira, situado no coração de Paraopeba, nasceu em 1928, um ano que marcou a chegada da cidade à era industrial e o início de um crescimento significativo. A fundação do cartório foi impulsionada pela necessidade de registrar as transações comerciais e imobiliárias da região, um cenário que, na época, era marcado pela agricultura de subsistência e pela crescente atividade de pequenos comerciantes. A cidade de Paraopeba, então, era uma vila de aproximadamente 500 habitantes, com a economia baseada na produção de algodão e, posteriormente, na pecuária. A chegada da Companhia de Mineração da Serra do Caju, em 1935, trouxe consigo um aumento na demanda por documentos e registros, e o Cartório Moreira rapidamente se tornou o principal responsável por essa atividade.
O primeiro tabelião, o Sr. José Ferreira, foi o pioneiro, estabelecendo as bases do cartório com uma simplicidade e dedicação que se refletia na sua atuação. Inicialmente, o cartório operava com um sistema de registro manual, utilizando principalmente papel e caneta. Aos poucos, com o passar dos anos, o cartório evoluiu, incorporando a tecnologia e aprimorando seus processos. A adição de um sistema de registro eletrônico, em 1962, representou um marco importante, permitindo a gestão mais eficiente dos documentos e a otimização do tempo de atendimento. A partir da década de 70, o cartório se tornou um ponto de referência para as famílias da região, oferecendo serviços de registro de imóveis, títulos de propriedade, e até mesmo a emissão de certidões de nascimento e casamento.
Ao longo das décadas, o Cartório Moreira se consolidou como um pilar da comunidade de Paraopeba. A família Silva, que residia na Rua das Flores, já era atendida pelo cartório desde a sua fundação, registrando a transferência de terras e a criação de seus filhos. Aos poucos, o cartório se tornou um local de encontro, onde as pessoas buscavam informações, resolveram problemas e compartilhavam histórias. A estimativa atual é que o cartório tenha atendido mais de 3.000 famílias, desde os mais jovens até os mais velhos, e que a sua atuação continua a ser fundamental para a preservação da história e da identidade de Paraopeba.