O Cartório de Paz e Notas de Fidelândia, erguido em Ataléia, em 1888, representa um marco na história da cidade, um ponto de convergência entre a expansão da agricultura e o desenvolvimento da economia local. A fundação do cartório foi impulsionada pela crescente demanda por registros de nascimento, casamento e óbito, que se intensificava com a chegada de imigrantes e a expansão da fazenda de São José, a principal atividade econômica da região. A cidade, então, era um pequeno vilarejo, mas a chegada de novos moradores e a necessidade de regularizar a vida familiar, como o registro de casamentos e a transferência de terras, impulsionou a necessidade de um órgão administrativo dedicado a essas tarefas.
O primeiro oficial a assumir a responsabilidade pelo cartório foi o Sr. Manuel Ferreira, um engenheiro agrônomo que, em 1892, com a ajuda de um grupo de proprietários rurais, estabeleceu o cartório. Inicialmente, o cartório operava com uma estrutura simples, utilizando documentos físicos e registros em papel. Aos poucos, com o crescimento da cidade e a necessidade de um sistema mais eficiente, o cartório passou a incorporar a utilização de computadores e a digitalização de documentos, um processo que se intensificou nas décadas seguintes. A cidade de Ataléia, em sua busca por organização e segurança jurídica, investiu em um sistema de registro que se tornou um padrão para outras cidades da região, consolidando o Cartório de Paz e Notas de Fidelândia como um importante centro administrativo e judicial.
Ao longo das décadas, o cartório se tornou um pilar da vida comunitária de Ataléia. Milhares de famílias foram atendidas, desde os primeiros registros de nascimento e casamento até a resolução de disputas de herança e a realização de transferências de terras. A família Silva, por exemplo, já era atendida pelo cartório desde a fundação da cidade, registrando seus filhos e netos em seus primeiros nascimentos e casamentos. A geração mais nova, que nasceu em 1935, já se lembrava de ter sido atendida pelo cartório para registrar seu casamento com o Sr. João Pereira, um dos primeiros moradores de Ataléia. Apesar de não ter um número massivo de funcionários, o cartório, com sua dedicação e profissionalismo, sempre se manteve presente na vida de seus habitantes, garantindo a segurança jurídica e a organização social da cidade.